Em entrevista concedida via e-mail, a especialista Carolina Bortoletto ressalta que as gestantes têm de tomar durante esse período para que sigam sempre saudáveis, já que os reflexos de uma boa alimentação são vistos e sentidos antes e após o parto.
1- Quais os cuidados que uma grávida deve ter na alimentação?
É importante lembrar que não se deve comer para dois, o ideal é engordar entre 7 e 14 kilos na gestação. As obesas, engordam o mínimo que é 7 kilos, as com sobrepeso até 10 kilos e as de peso normal ou baixo peso até 14 kilos. Consideramos o peso da paciente pré-gestacional pela tabela de IMC. Lembro que essa regra para gestação com uma única criança, se forem gêmeos ou mais de 2 a regra é um pouco diferente. Comer de 3 em 3 horas é fundamental para evitar enjôos e aquela fome excessiva. A grávida, naturalmente, já tem o apetite aumentado.
2- Quais substâncias são importantes nesse momento da vida?
São elas:
Cálcio- importante para evitar as cãibras e formar os ossos do bebê.
Ferro- importante para formação das células e evitar a anemia que é muito comum durante a gestação.
Ácido fólico- fundamental para formação das células sanguíneas e também fundamental até o fim do primeiro trimestre para evitar problemas no fechamento do tubo neural do
bebê.
Proteínas- para formação dos tecidos do bebê e periféricos como a placenta e líquidos.
3- Quais substâncias evitar?
A grávida deve excluir da sua rotina: o álcool, a cafeína (presente em chás escuros e café), os adoçantes (exceto se for diabética), os embutidos devido ao alto teor de nitratos, ovos crus e peixes com grande quantidade de mercúrio como o cação.
4- O que essa dieta acrescenta ao desenvolvimento do fetoA verdade é que a boa alimentação preserva a mãe e o bebê. Para uma boa construção, precisamos de tijolos, cimento, água e um bom projeto, na gravidez é a mesma coisa: um conjunto de atitudes saudáveis, não só na alimentação, trarão uma gravidez tranqüila, feliz, um bebê saudável e um período de amamentação gratificante.
5- E depois do parto, essa alimentação balanceada da gravidez vai continuar ajudando no crescimento do bebê?
Depois da gestação, a necessidade da mãe muda um pouco, pois o foco agora é a amamentação. O gasto calórico aumenta, tornando-se mais intenso que durante a gravidez. A alimentação, durante o processo da amamentação, não influencia na qualidade do leite. Ele será produzido independentemente da alimentação
da mãe. Por isso esse período é tão importante para a mãe, que deve se cuidar e preservar as suas próprias reservas, pois se não sairá no prejuízo.
6- Se a dieta não for seguida a risco, quais males podem surgir na gravidez?
Pode haver uma alteração da pressão, podendo até mesmo, nos casos mais graves, antecipar o parto pelo risco que traz à mãe e ao bebê, é a temida eclampsia. Um excesso de peso durante a gestação altera a mobilidade da mãe, seu bem estar e piora o inchaço. Aumenta os riscos de um parto complicado e dificulta o retorno ao peso normal após a gestação. Gestantes que não mantêm controlada a glicemia, por exagerarem no consumo de doces e gorduras, ou por estarem acima do ganho de peso recomendado, podem
gerar uma criança de um tamanho maior do que o esperado, o que vai acarretar um parto artificial e um maior risco para mãe e pro bebê.
7- O que é visto, geralmente, entre as mulheres brasileiras? Há um interesse em buscar especialistas para acompanhar essa alimentação?
As brasileiras são muito interessadas em alimentação saudável de uma forma geral. O problema é que a maioria das pessoas não se aconselham com especialista da área, que conheça bem os alimentos. Podemos observar que há uma avalanche de informações na mídia, seja na TV, nos jornais, nas revistas... Cuidado com tudo que se ouve. Nem sempre é verdade. O ideal sempre é procurar um especialista.
Entrevista feita por Valéria Castor